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26.06.2007

Armadora quer terminal no porto

Terceira maior armadora do mundo, a francesa CMA CGM quer ter seu próprio terminal de contêineres no Porto de Santos. Executivos da empresa garantem que todas as possibilidades estão sendo avaliadas, desde a construção até a compra de uma instalação portuária já existente.
  
O interesse da armadora por Santos foi anunciado pelo seu vice-presidente, Rodolphe Saadé, na última semana. Na ocasião, ele veio ao Brasil para inaugurar o edifício-sede da empresa, na capital paulista. A unidade irá centralizar as operações no Brasil e estreitar o relacionamento com os clientes.
  
Um dos principais executivos do grupo francês, Saadé, de 38 anos, revelou que ‘‘Santos é a grande alavanca do setor marítimo do Brasil, mesmo com seus problemas estruturais’’. Ele ponderou, porém, que todos os portos do mundo têm suas deficiências, principalmente depois do boom do comércio marítimo internacional verificado nos últimos anos, mas que isso não inviabiliza Santos para novos investimentos.
  
‘‘O Porto de Santos está obrigatoriamente na rota preferencial de qualquer companhia de navegação. Hoje, assim como o Brasil, é um grande exportador e um grande importador, reflexo da economia estável. É claro, portanto, que queremos um terminal lá (em Santos)’’, explicou o vice-presidente a A Tribuna.
  
Sobre o interesse em terminais no maior complexo portuário do País, o executivo garantiu que todas as oportunidades estão sendo criteriosamente analisadas. Sem falar em cifras, mas gabaritando a armadora para qualquer soma de investimentos, ele afirmou que tanto instalações prontas como as que ainda vão entrar em operação ‘‘palpitam as mentes’’ dos representantes do grupo.
  
Questionado se há outro motivo para a aquisição de uma instalação portuária na região, já que seus navios teoricamente podem operar em qualquer área, Saadé respondeu que a preocupação é ter garantias de atracação. Segundo ele, as embarcações da companhia cumprem horários determinados e não podem atrasar a operação em virtude de algum problema originado no porto, sob pena de causar prejuízos à cadeia logística.
  
Apesar de não haver uma data-limite para a escolha do terminal ou da área para a sua implantação, a definição deverá sair o mais rápido possível, provavelmente no primeiro semestre do próximo ano. As tratativas serão comandadas pelos executivos brasileiros da Terminal Link, empresa da CMA CGM que desenvolve exclusivamente relações a respeito de terminais.

TECONDI

A direção do Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi) foi sondada pela armadora CMA CGM sobre uma possível venda da instalação portuária. O contato foi confirmado pela presidente da empresa portuária, Agnes Barbeito de Vasconcelos, que esteve na cerimônia de inauguração da nova sede da armadora.
  
A empresária disse que o terminal não está à venda e que é improvável uma negociação. ‘‘O Tecondi está em um momento de crescimento e é normal haver interesse de outros grupos. Recebemos consultas frequentemente, mas no momento não interessa’’, defendeu, ao garantir que a unidade tem
‘‘força’’ para caminhar na composição atual.
  
Para Agnes, a procura pelo Tecondi é facilmente explicada: há projetos e área para expansão, além de aproximadamente 40 anos de permissão para atuar no porto.
  
Segundo apurou A Tribuna, além do Tecondi os executivos da CMA CGM também manifestaram forte interesse nas duas novas áreas para contêineres na Margem Esquerda (Guarujá). Entretanto, o espaço demandaria a remoção de cerca de 2,5 mil famílias, retardando a entrada em operação.