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30.07.2007

Comitê pedirá ajuda do Governo contra greve

O Comitê de Logística do Porto de Santos irá entregar hoje, à Secretaria Especial de Portos (SEP), um ofício expondo as dificuldades que os terminais estão tendo devido à greve da Vigilância Agropecuária, que completa nove dias.
 
Ontem, durante a reunião semanal do grupo, na sede da Codesp, foram várias as manifestações dando conta de que as instalações estão abarrotadas de cargas.
 
A idéia é que a SEP lance mão de gestões para intervir na situação. ‘‘Vamos fazer um ofício convidando também o representante do Serviço de Vigilância Agropecuária do porto para participar das reuniões semanais do Comitê. O que não pode é ficar esse acúmulo de carga, porque daqui a pouco vai haver congestionamento no porto’’, destacou o diretor de Infra-estrutura e Serviços da Codesp, Arnaldo de Oliveira Barreto.
 
‘‘Os terminais já estão over’’, afirmou um executivo de uma das instalações de contêineres do complexo. ‘‘Os contêineres não saem’’, reclamou o representante de outra empresa.
 
Os fiscais agropecuários vistoriam as cargas de origem animal e vegetal nas duas mãos — exportação e importação. Só nos terminais de contêineres, conforme apurou A Tribuna, são inspecionados de 150 a 200 cofres por dia, em cada instalação. Estão incluídas nesse grupo mercadorias como paletes de madeira (colocados no interior das unidades e que precisam ser fumigados, para matar eventuais pragas).
 
Ocorre que, com a paralisação, apenas 30% das cargas estão sendo inspecionadas, de forma que todos os dias há sempre um excedente acumulado, à espera de inspeção. ‘‘Resolvemos o problema da fila, mas não temos espaço’’, citou o gerente de Operações do Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), Roberto Pestana, numa referência ao agendamento eletrônico para cargas de exportação, que minimizou sobremaneira o número de caminhões à porta do terminal, localizado no Cais do Saboó.

VIGILÂNCIA

De acordo com o chefe do posto da Vigilância Agropecuária de Santos, Orlando Prieto Júnior, o universo de fiscais que atuam no porto varia semanalmente, conforme a escala de trabalho. Nesta semana, o contingente seria de 17 pessoas, mas com a greve caiu para sete, pouco mais de 41% do previsto.
 
Dos sete em atuação, cinco são fiscais agrônomos, especializados em tratar as cargas de madeira. ‘‘Os terminais estão sendo atendidos todos os dias, só que agora tem menos gente. Estamos cumprindo o que a lei exige’’, diz Prieto Júnior.
 
Desde 1999, há necessidade de inspeção de madeira em cargas de importação. Ocorre que há três anos quem fazia esse trabalho eram empresas terceirizadas, o que dava agilidade ao serviço. Só que a Justiça considerou ilegal a delegação desse serviço à iniciativa privada, uma vez que se trata de uma questão de segurança, prerrogativa do Estado, portanto.
 
O Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) deve divulgar hoje um balanço dos primeiros nove dias da greve dos fiscais no porto. Até sábado, a categoria contabilizava a retenção de mil contêineres no porto.
 
‘‘Toda a greve é nociva e, num mercado globalizado, vamos ter reflexos em termos de custos’’, ponderou o vice-presidente da entidade, José Roque. A Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra) também promete para hoje um balanço dos impactos da paralisação na operação de suas associadas.