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04.08.2007

Santos-Brasil compra Mesquita

  A operadora Santos-Brasil, arrendatária do Terminal de Contêineres (Tecon) do Porto de Santos, anunciou ontem a compra da Mesquita S.A. Transportes e Serviços, principal empresa do Grupo Mesquita. Com a aquisição, por
R$ 95 milhões, a Santos-Brasil pretende ampliar seus serviços logísticos e até atuar como uma indústria portuária, revelou o diretor operacional da companhia, Antonio Carlos Sepulveda, em entrevista exclusiva a A Tribuna.
  Para coordenar a integração da Mesquita Transportes às atividades da sua controladora foi contratado o executivo Mauro Salgado, ex-presidente da principal concorrente da operadora no porto, a Libra Terminais. Seu trabalho deve ser concluído em cerca de 60 dias.
  Segundo Sepulveda, o quadro de funcionários da empresa de logística será mantido. ‘‘Buscamos uma companhia em atividade e é assim que ela ficará. Se fosse para demitir e partir do zero, teríamos aberto nossa própria firma. Queremos aumentar nossos negócios e gerar mais postos de trabalho na região’’.
  A compra da Mesquita Transportes é a primeira etapa do projeto da Santos-Brasil de aumentar os serviços oferecidos a seus clientes. Atualmente, sua principal atividade concentra-se na operação portuária. Com a aquisição, ela poderá entrar no mercado porto-porta, transportando as cargas entre o cais e as instalações de importadores e exportadores. Mas seus planos vão além.
  ‘‘Queremos usar a experiência da Mesquita para desenvolver projetos logísticos integrados com nossos clientes. Os dois negócios têm um encaixe perfeito. O Tecon tem a parte portuária e o contato com as grandes indústrias. E eles têm um grande contato com a área de distribuição’’, explicou o diretor.
  Os novos serviços que serão oferecidos pela Santos-Brasil irão do transporte e da distribuição das mercadorias até a sua embalagem e a agregação de valores.
  Sobre o beneficiamento de mercadorias, Sepulveda considera a opção a ‘‘evolução natural’’ de suas atividades. ‘‘É comum hoje, nos portos de todo mundo, você receber produtos importados e agregar valor a essas mercadorias. O porto-indústria é uma tendência. Esse é um dos nichos que poderemos explorar’’.
  Nos complexos marítimos europeus e norte-americanos, essa estratégia é usada principalmente por fabricantes de automóveis, que reúnem as peças em seus terminais marítimos (muitas são importadas e chegam de navio) e concluem a montagem do veículo no porto. Esse mercado está nos planos da Santos-Brasil, que também opera o Terminal de Exportação de Veículos (TEV), em terreno vizinho ao Tecon.

Mesquita S.A. Transportes

Origem: Fundada em Santos, em 1926.
Patrimônio: Porto seco em Santos (na Alemoa), com 64.755 metros quadrados
Porto seco em Guarujá (na Rodovia Cônego Domênico Rangoni), com 52.900 metros quadrados;
Centro de distribuição e armazém geral em São Bernardo do Campo (alugado), com 105 mil metros quadrados;
Frota de 100 caminhões rastreados por satélite, com idade média de três anos.
Serviços: Despacho aduaneiro, transporte rodoviário, distribuição e armazenamento geral e alfandegado.
Receita operacional líquida: Em 31 de dezembro de 2006, foi de R$ 84 milhões (57% foram obtidos com armazenagem alfandegada).
Projeção: Em 2008, a empresa deve registrar uma receita líquida de R$ 114 milhões, um crescimento de 35,71% em relação a 2006.
Fonte: Santos-Brasil S.A.

Empresa foi criada para transação

 A compra da Mesquita Transportes será feita pela Nova Logística S.A., sociedade criada pelos acionistas da Santos-Brasil S.A. para a negociação.
  A Mesquita desenvolve atividades de transporte rodoviário, armazenagem e serviços logísticos e aduaneiros e opera há mais de 80 anos no cais santista.
  O capital para a transação será da própria Santos-Brasil, que obteve os recursos necessários com a venda de suas ações, explicou o diretor da empresa, Antonio Carlos Sepulveda.
  O processo de aquisição da Mesquita ainda terá de ser aprovado por autoridades do setor, como a Codesp, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Secretaria da Receita Federal (por envolver a negociação de terminais alfandegados). O aval deve sair em 30 dias.
  As conversas entre as duas firmas começaram oficialmente em 22 de março, quando a operadora portuária anunciou a intenção de compra da empresa.

 

 

Fonte: Redação: Jornal ATRIBUNA