MCLG Advogados Associados

perfil
 
03.04.2008

Terminais têm 90% de seus pátios lotados

Com a greve dos fiscais da Alfândega, os terminais do Porto de Santos já estão com 90% de seus pátios lotados. Diante da crescente falta de espaço para o desembarque e o carregamento de novas cargas, aumentam os riscos de uma paralisação das operações.

A análise é do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar). Segundo o vice-presidente da entidade, José Roque , as mercadorias importadas, que não estão sendo liberadas, ocupam a maior parte das áreas das instalações portuárias. Consequentemente, não há espaço para a recepção dos produtos de exportação.

Conforme o diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins , os terminais do porto já ‘‘estão operando no limite da capacidade’’.

De acordo com o diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Martins, o porto deixou de movimentar 75 mil contêineres desde o início da greve, no último dia 17. O volume diz respeito tanto às exportações quanto às importações.

‘‘Essa é uma das piores greves. Está ocorrendo às vésperas do Dias das Mães, o segundo melhor dia para o comércio’’, explicou Martins. O primeiro é o Natal.

Também ontem, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) admitiu a possibilidade de a paralisação dos servidores gerar um aumento de preços no varejo.

O cenário só não está pior porque o Ciesp obteve na Justiça, na última semana, uma liminar (decisão provisória) garantindo prioridade no desembaraço aduaneiro das cargas de seus associados. ‘‘O trauma que uma greve traz para a indústria é sempre muito grande. Há empresas que já pararam linhas de produção’’, avaliou o diretor do Centro das Indústrias.

É o caso da fabricante de eletrodomésticos Black & Decker. Segundo o gerente de Logística da empresa, Marcos Azevedo, três das 12 linhas de produção da fábrica foram interrompidas. ‘‘No mercado interno, estou com entregas atrasadas com prejuízo no valor de R$ 1 milhão’’, calculou o executivo. Outros R$ 500 mil ainda não foram exportados porque estão parados nas fronteiras nacionais.

GOVERNO

O ministro dos Portos, Pedro Brito, disse ontem que a Secretaria Especial de Portos (SEP) está trabalhando em conjunto com Secretaria da Receita Federal (SRF) ‘‘buscando uma solução rápida para o problema. Não podemos permitir que a greve atrapalhe o fluxo do comércio exterior brasileiro’’

Fonte: Redação Jornal ATRIBUNA