MCLG Advogados Associados

perfil
 
17.10.2009

Armadoras preveem prejuízo de US$ 20 bi


As armadoras que atuam no transporte de contêineres devem fechar este ano com um prejuízo da ordem de US$ 20 bilhões, segundo levantamento do setor. O resultado é reflexo da crise financeira global, que retraiu o comércio de cargas entre as nações em aproximadamente 9%.


Considerada de pouco impacto no Brasil, a crise mundial forçou as companhias de navegação a modificar suas operações. Com muitas embarcações paradas por falta de demanda, essas empresas decidiram cancelar encomendas de novos cargueiros, por exemplo, na tentativa de minimizar os prejuízos.

Segundo Julian Thomas, diretor-superintendente da Aliança Navegação e Logística, controlada pela armadora alemã Hamburg-Süd, o saldo negativo do setor obrigou ­ do início da crise até agora ­ a retirada de operação de cerca de 500 navios. Isso equivale a 10% da capacidade de transporte marítimo de contêineres da frota mundial.

"E tende a piorar. Por isso, estamos tentando medidas estruturantes que podem ser feitas para retificar essa situação", destacou Thomas. Entre as ações adotadas para reduzir custos, as armadoras ordenaram que suas embarcações reduzam a velocidade de navegação, a fim de economizar combustíveis.

Sem citar os prejuízos de sua companhia devido à turbulência internacional, Thomas mostrou, por exemplo, que a armadora dinamarquesa Maersk (líder mundial no transporte marítimo de contêineres) registrou perdas de US$ 961 milhões neste ano. A estatal chinesa Cosco amargou um déficit de US$ 600 milhões, enquanto a alemã Hapag-Lloyd, US$ 576 milhões negativos.

BRASIL

A recuperação do comércio marítimo internacional deve ocorrer somente em dois anos. No Brasil, porém, já há sinais de retomada, ressaltou Thomas.

Neste ano, até o mês passado, as importações nacionais sofreram uma queda de 31%, enquanto as exportações foram 11,5% menores, na comparação com o mesmo período do ano passado, afirmou o diretor-superintendente da Aliança.

"Há uma queda média de 20% nas movimentações de cargas, mas existe uma retomada forte sobretudo nas importações da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos. As exportações brasileiras têm uma recuperação mais tímida, devido ao câmbio".

Na América do Sul, a Aliança-Hamburg-Süd reduziu o número de navios em operação. Atualmente, há de 28 a 30 embarcações com escalas diárias nos portos do subcontinente. No ano passado, eram 35 porta contêineres, que movimentaram 1,3 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) nos complexos marítimos sul-americanos. Em 2009, com a diminuição na quantidade de cargueiros e nos volumes de mercadorias, a estimativa é fechar com 1,1 milhão de TEUs.

"Esperamos que o quadro para 2010 seja melhor do que o de 2009. O ritmo hoje é de retomada dos volumes e dos fretes perdidos na crise", afirmou Thomas, otimista quanto à volta do crescimento a partir de 2011.