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08.12.2009

CAP determina que Codesp assuma tráfego de navios

O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) determinou à Codesp que assuma a coordenação do tráfego de navios no Porto de Santos, tão logo conclua a dragagem de aprofundamento do Canal do Estuário. A estatal terá a missão de otimizar as operações no complexo, na relação entre as embarcações e os terminais, devendo punir eventuais falhas.

Originalmente uma responsabilidade da Administradora Portuária, o serviço é executado pela Praticagem de Santos há seis décadas, pelo menos. Mas, atualmente, há críticas dos operadores portuários quanto ao trabalho da Praticagem. Eles alegam atrasos na manobra dos navios. Por outro lado, a corporação acusa que, ao chegar aos terminais, muitas vezes os navios ainda estão em operação e, por isso, não podem manobrá-los na hora prevista.

Para solucionar este tipo de conflito, o CAP decidiu que a Codesp deve coordenar o tráfego, por entender que a Praticagem deve ser apenas um prestador de serviço no Porto, executando estritamente as manobras de navios no canal. E a Docas ainda terá de fiscalizar a atuação da Praticagem e dos terminais, multando os responsáveis por eventuais atrasos nas operações.

Hoje, a corporação de práticos ­ os profissionais que executam as manobras ­ acaba controlando toda a logística das escalas, ajustando-as às características de cada embarcação, com base nas normas internacionais e da Marinha do Brasil.

Um exemplo recente sobre a importância da coordenação do tráfego foi a escala do transatlântico MSC Musica, no último dia 29, no Terminal de Passageiros, na região central do complexo. A embarcação chegou ao Porto com quatro horas de atraso e, por ter passageiros a bordo, deveria atracar o mais rápido possível, para realizar o desembarque e, posteriormente, a subida de novos turistas.

Entretanto, no mesmo momento, preparava-se para sair um navio gaseiro (que transporta gás), cujo cruzamento com transatlânticos é proibido pela Autoridade Marítima, por segurança. Ele estava prestes a deixar a Ilha Barnabé, onde fica parte dos terminais de líquidos e inflamáveis do Porto, ao fundo do estuário. E, se não o fizesse, em razão das condições de maré, só poderia zarpar oito horas depois, segundo a Praticagem.

A solução encontrada foi o prático fazer o navio gaseiro navegar em baixa velocidade para que a passagem na região central do Porto só acontecesse quando o transatlântico já estivesse atracado no terminal.

CAPACITAÇÃO

Segundo o presidente do Conselho de Autoridade Portuária, Sérgio Aquino, também secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, para ter condições de planejar essa logística, a Companhia Docas terá de se preparar com equipamentos e capacitação de pessoal a fim de gerir o sistema de escalas no complexo. Para isso, será necessário entendimentos com a Praticagem para conhecer a nova atribuição.

Aquino afirmou que a Codesp tem até a conclusão da dragagem de aprofundamento para dominar esse trabalho. A previsão da estatal é que a obra termine entre agosto e outubro do próximo ano. A dragagem irá elevar a distância entre a linha d'água e o leito do estuário de 13,40 metros para 15 metros, permitindo a recepção de navios capazes de transportar até 9 mil TEUs (unidade que corresponde a um contêiner de 20 pés). Hoje, o maior a entrar no complexo pode carregar até 5.500 TEUs.

OTIMIZAÇÃO

No próximo ano, o CAP irá analisar todos os obstáculos para a otimização das operações no Porto de Santos, afirmou Aquino. Já está definido que o órgão avaliará o serviço das empresas de rebocagem e de abastecimento de bordo.

O presidente do CAP lembrou que um grupo de trabalho foi criado para avaliar a execução dos serviços complementares no cais santista. "Este ano que vai começar, o CAP vai trabalhar em temas estratégicos na questão do ganho de tempo nas operações".

Aquino disse que as quatro empresas de rebocadores ­ embarcações de alta potência que auxiliam na manobra dos navios no Canal do Estuário ­ serão chamadas para debater com o setor como agilizar esta tarefa no complexo. Já as firmas de abastecimento de bordo serão convocadas para debater, junto ao colegiado portuário, questões de segurança.

Para Aquino, há a necessidade de uniformizar os processos de fornecimento de combustível e outros insumos aos navios, para evitar derramamento de óleo no mar e acidentes com vítimas.

Praticagem quer controle de tráfego com a Codesp

A Praticagem defende que a Codesp fique com a coordenação do tráfego marítimo no Porto de Santos, mas, sobretudo, que ela exerça o seu papel de Autoridade Portuária e promova uma série de ajustes para que possa haver uma otimização nas operações do complexo.

Para o diretor-executivo da Praticagem, Paulo Barbosa, a entidade já ofereceu diversas vezes o repasse do serviço extra feito pela corporação a Autoridade Portuária. Aliás, essa bandeira já foi levantada pelos práticos há 15 anos, dizem eles.